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(Foto: reprodução)

Eu não era tão invencível como por vezes me sentia. Não era imune aos medos ou às pedras que surgiam no caminho. Mas prosseguia, superava os obstáculos, e estava sempre cheio de projetos, planos, coragem, sonhos, anseios.

Nunca deixei de me divertir. Talvez as formas de diversão fossem mudando, assim como os tipos de eventos freqüentados e os destinos de viagens. Mas ao lado das minhas companhias favoritas a sintonia era fina. Como diriam os Pet Shop Boys, “nunca estávamos entediados, pois nunca éramos chatos”.

Nem por isso o hedonismo era regra. Ali já era clara a noção de que o tempo passa rápido. E que se por um lado assustava não ter mais o mesmo pique dos 20 anos, encantava não ter mais as inseguranças que a vida provou serem bobas. Aos 30 já sabia que boa parte da realidade que me cercava dependia das minhas posturas, do meu olhar, da minha fé em mim mesmo e da minha capacidade de (re)agir.

Naquela época eu aquietei um pouco minha vontade de desbravar o mundo com uma mochila nas costas e optei por criar mais raízes. Passei a arquitetar minha vida profissional de forma mais clara, batalhei para crescer. E continuei estudando, continuei lendo, continuei curioso e interessado no que é novo, diferente e, aos meus olhos, instigante.

Era feliz. Não tinha mais meu pai, mas tinha me despedido dele em paz. E tinha minha irmã e minha mãe, que seguem lindas e saudáveis até hoje. Tão bem quanto meus amigos especiais, família estendida que eu reconheci no meu caminho. Enxergava algo de válido e encantador em cada relação vivida, afinal já naquele tempo minha fé não estava nas religiões, estava no amor.

Sabia bastante, imaginava outro tanto e ambicionava muito. Julgava ser esperto, inteligente, interessante. E apesar disso tudo, não era metade do que sou hoje.

Assim eu espero ver o que agora é presente ao olhar para trás no futuro. Com avaliação positiva, mas sem nostalgias. Afinal o melhor sempre estará por vir.

Bye bye 2009. Nesse ano, de todas as áreas da minha vida, apenas o coração não passou por turbulências, reveses e incertezas. O amor foi um porto seguro onde algumas (poucas) ventanias tiveram apenas resultados positivos. Do resto, digo que foi o ano mais heterogêneo dos últimos tempos.

Ao meu redor muita coisa mudou. Comecei o ano em Sidney, viajei para a Tailândia, fiz pit-stop na Nova Zelândia, retornei ao Brasil. No exterior fiquei a maior parte do tempo solteiro, aqui termino quase casado. Lá morei em apartamento dividido com vários gringos, aqui passei a me dividir entre casa da cara metade e a da família. A família em questão mudou. Segue saudável, mas agora com papai em uma casa e mamãe em outra. O trabalho com eventos na Oceania ficou para trás e cedeu lugar a uma vida de freelas instáveis.

Se do lado de fora tudo virou do avesso, internamente eu pouco mudei e muito amadureci. Em certos sentidos posso dizer que atingi uma plenitude que sempre busquei. Começarei 2010 com grandes projetos, focado em novas conquistas. O ano novo será brindado com champagne e sorriso no rosto, debaixo dos fogos no céu do Rio de Janeiro.

Findado o balanço pessoal, fecho o post com uma retrospectiva sonora. A música sempre permeia minhas recordações, e dessa vez não poderia ser diferente. After all, music is still my hot hot sex.

Lista de sons que me marcaram em 2009, sem ordem específica, e com link do video no youtube:

The xx – Shelter
Um dos incríveis momentos presentes num álbum bom de cabo a rabo. Faixa sutil e suave, ora melancólica e contemplativa, ora sexy. Combina com praia, domingo chuvoso, sexo, alongamento… deve ser o novo preto. Testada e aprovada.

Kid CuDi – Pursuit of Happiness (Feat. MGMT And Ratatat)
Um dos melhores artistas do hip-hop de hoje em faixa que conta com a participação dos hypados MGMT e Ratatat. Underground meets mainstream, perseguindo a felicidade com belas rimas.

Telefon Tel Aviv – You Are The Worst Thing In The World
Fazendo contraponto à felicidade acima mencionada, impossível não citar aqui ao menos uma faixa do maravilhoso Immolate Yourself, último trabalho lançado antes do fim precoce do Telefon Tel Aviv. Momento (talvez) mais alto de álbum triste, introspectivo e moderno. Eletrônico que passa longe das pistas, mas mira certeiro na emoção.

Shakira – She Wolf (Villains Remix)
Jamais imaginei que algum dia Shakira soaria cool. Divertida, vez ou outra, sim. Cool, jamais. Com esse remix, porém, eu fiquei livre de toda culpa por ouvi-la. Se fosse possível amputar o vocal deste electro em que os Villains transformaram She Wolf, a faixa seria um dub perfeito na pista. Como não é, dá pra dizer que se trata de um sonzinho kitsch e safado, no bom sentido.

Jay Z – Empire State of Mind (feat Alicia Keys)
Paixão à primeira vista. Curto malhar ao som dessa música, ouvindo Jay Z versar sobre a beleza agridoce de Nova Iorque. Alternando-se a ele, Alicia Keys melodicamente quebra tudo no refrão, que fica ainda mais belo na versão ao vivo. A faixa encerrou o VMAs de 2009 e abre o trailer de Sex & The City 2.

Fever Ray – Triangle Walks (Tiga 1-2-3-4 Remix)
Ainda que esse ano o The Knife não tenha apresentado novidades, o universo sombrio da banda andou super bem representado. A metade feminina da dupla tomou a blogosfera de assalto, sob pseudônimo, mas com sua mesma voz encantadoramente estranha. Ter faixa da sueca remixada pelo Tiga fez com que ambos fossem presenças constantes nos meus playlists. Pela mesma razão, Triangle Walks agora aparece aqui, com duplo merecimento. O que seria de 2009 sem um remix do meu DJ favorito? Cinco minutos de letra obscura e ritmo pesado, de deixar o pezinho batendo ansioso no chão ao acompanhar.

The Gossip – Heavy Cross
O primeiro álbum do Gossip a sair por uma grande gravadora é mais pop que os anteriores, mas não por isso menos interessante. Beth Ditto segue visceral, e isso dá todo sentido à sua gritaria (fica a dica para muitas cantoras de bate-cabelo). Se não rolar a mesma flopada da vez anterior, a banda estará por aqui no ano que vem, no mês do meu aniversário. Já sei onde pretendo comemorar. (PS: Tão bons quanto a faixa original são os remixes do Yuksek e do Fred Falke.)

Gui Boratto – No Turning Back
Seguindo na mesma linha de Beautiful Life, essa faixa do último álbum do produtor brasileiro é ensolarada. Minimal alegre para ninguém botar defeito, agrada até quem acha que eletrônico (quase) sem vocal é tudo igual.

David Guetta – When Love Takes Over (feat Kelly Rowland)
Hit bombadíssimo nas rádios FM e nas pistas mais pop, para ter ignorado esse som só sendo surdo. Admito que esse ano David Guetta subiu bem no meu conceito, já que andava em baixa por aqui desde um set sem graça num Skol Beats da vida. Subiu também nos rankings de todos, visto que lançou álbum lotado de parcerias estreladas, criou outro mega hit com o Black Eyed Peas e fecha a temporada produzindo a Madonna. When Love Takes Over é recomendável inclusive nos remixes do Laidback Luke, do Arno Cost e do Abel Ramos.

Edward Sharpe and The Magnetic Zeros – Home
Zapear por blogs musicais é vício, já comentei aqui. Numa não rara madrugada insone, descobri essa música, um coutry pop lindo de doer. Perfeito para cantar junto enquanto dirijo.

Lady GaGa – Bad Romance (Grum Remix)
Sinceramente? Acho a versão original meia boca, apesar de ter um videoclipe incrível. O sorriso só pinta mesmo no rosto ao ouvir o remix do Grum, cheio de synths vindos direto dos 80’s, colocando na música o tempero do qual sentia falta. Lady GaGa foi onipresente em 2009 e provou para mim que é possível ser bem feio e, ainda assim, ícone pop de primeira.

Bag Raiders – Shooting Stars (Kris Menace Remix)
Morri de saudades da Austrália esse ano, mas apesar (ou por causa) disso sons vindos de lá estiveram super presentes nas minhas trilhas sonoras. Citar todos me obrigaria a criar uma nova lista regida só por esse tema. Como não é a intenção, agrupo os Cut Copys, Van Shes, Presets e afins sob o guarda-chuvas desse som, que me faz pensar com carinho em Sydney (com dois Y, como eu conheci).

Cold War Kids – Audience of One
A última vez que prestei atenção em algo da banda foi quando Hang Me Up To Dry bombou na blogosfera, lá no começo de 2007. Na época achei o som interessante, mas bem menos marcante que a faixa atual. Cadenciada, crua, gostosa de ouvir sozinho, ainda que digna de audiências bem maiores.

Outras menções honrosas:
Coeur De Pirate – Comme Des Enfants (Le Matos Andy Carmichael Remix)
Hot Chip – Take It In
Lily Allen – Not Fair
Miami Horror – Sometimes [video lindo!]
Røyksopp – This Must Be It (feat Fever Ray) (Thin White Duke Remix)
Van She – (Don’t Fear) The Reaper
The Temper Trap – Sweet Disposition
Glee Cast – Don’t Stop Believing
Phoenix – Fences
Chromeo – I Can’t Tell You Why
Sébastien Tellier – L’amour Et La Violence (Allure Remix)
Lady GaGa – Paparazzi (Stuart Price Remix)
Adele – Make You Feel My Love [é de2008 mas eu ouvi muito esse ano]
Tiga – Love Don’t Dance Here Anymore
Massive Attack – Paradise Circus (feat Hope Sandoval)
Zoot Woman – Saturation
Rihanna – Hard (Feat. Young Jeezy)
Deluxe – Everything Counts (Depeche Mode Cover) [Versão no piano presente em álbum latino. Diz que a letra ficou meio cagada, sinceramente não prestei atenção. A melodia e a voz estão lindas.]
Ladyhawke – Magic (The Swiss Remix)
M83 – Run Into Flowers (Midnight Fuck Remix By Jackson)
Delorean – Deli
La Roux – Quicksand (Mad Decent Remix)
Calvin Harris & Soulsearcher – Can’t Get Alone (Dirty South Bootleg)
Major Lazer – Keep It Goin’ Louder (feat. Ricky Blaze & Nina Sky) (Diplo Remix)

 

9

9 da manhã (ou quase isso) do dia 09/09/2009.

Para mim isso significa apenas muita repetição do meu número favorito, mas segundo li, na China é superstição total. Diz que por lá essa é uma data merecedora de grandes comemorações, pois para o povo local o número 9 representa sorte e sucesso.

Estou do outro lado do mundo e minha crença nesse tipo de coisa tende a zero. E agora?

Bem, se é para ganhar, besteira ir contra. Ainda mais com tanto chinês no mundo. Melhor abraçar a benção e abrir uma concessão dizendo que sim, hoje aquele é meu oráculo. Que o copo não esteja apenas meio cheio mas transbordando e que a paz mundial, desejo número 1 de toda miss, seja alcançada. E que por aqui, o início das atividades desse blog seja só um sinal disso tudo, com numerologia e layout novo a favor.

A partir de agora, se alguém me perguntar sobre a razão para abandonar a página antiga, nem preciso me alongar reclamando da falta de praticidade e do design horroroso do UOL. Agradeço ao número 9 pela graça alcançada.

Marcio Ramos

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