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Um filme denso, que trata de forma realista de um tema devastador. Uma personagem principal excluída nos mais diversos pontos de vista. Garota adolescente vítima de incesto por parte do pai, abusos físicos e psicológicos por parte da mãe, expulsa da escola por conta da sua segunda gravidez, mãe de uma menina com síndrome de down, gorda, negra, pobre e aidética. Quase a visão do mundo cão.

Quase. Não totalmente, pois ao mesmo tempo, se trata de um filme belo. Uma construção sem guinadas de fábula nem clichês apelativos. Um projeto com boas atuações, mesmo quando se fala de coadjuvantes representados por músicos famosos como Mariah Carey e Lenny Kravitz. Uma obra que se conecta de forma metalingüística com aspectos da vida de sua produtora executiva, a outrora pobre e vítima de abusos Oprah Winfrey.

A metalinguagem, aliás, é ferramenta bastante presente no trabalho. Já no início, nos letreiros de apresentação do elenco e da equipe, os textos aparecem escritos à mão e de forma errada. Antes de se saber mais detalhes sobre o drama da protagonista, é possível descobrir que ela é quase analfabeta. Nos sonhos, brilha, sorri, fala, existe. No mundo real seu rosto é inexpressivo, apático. Assim permanece mesmo diante do pai algoz, que nem rosto tem. Ele é reduzido a um cinto que se abre, um corpo pesado que sufoca.

Ainda que cafona, o subtítulo da versão nacional é sincero. Uma história de esperança. Também uma ponderação sobre dor, entendimento, evolução e libertação. Uma obra preciosa, como é o nome de sua protagonista, como são os filmes de verdade.

PS: Achei tudo a arte gráfica do poster.

Marcio Ramos

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