Atormentada pela crise da idade avançada (que só dá as caras depois da festa mesmo), ela anoiteceu em pranto. Alternando lágrimas suaves que escorriam silenciosas com outras que caíam gordas e pesadas, tornou o fim do dia algo dramático e recluso.
Dentre seus conhecidos, gerou desconforto. Atrapalhou quem planejava aproveitar na rua a noite de calor, fez reconsiderar quem cogitava sair de casa sem precisar.
Mais uma vez, trouxe à vida os vendedores de guarda-chuvas, materializados em cada saída de metrô, a cada esquina. Não deu trégua, trazendo no fim de janeiro águas cantadas para março.
Insegura, duvidava que depois de tantos altos e baixos ainda fosse bela ou querida. E nesse questionamento úmido, não percebeu. Entre garoa e tempestade, se mostrou mais Sampa do que nunca. Intensa, pulsante, agridoce. Amada.
(*Texto escrito há exatos oito anos!)


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