(Imagem: Reprodução)

Em 2011 pratiquei o desapego. Não foi fácil. Na verdade diria que esse foi o pior ano da minha vida. Desapeguei na marra. Acho extremamente difícil deixar pra trás qualquer coisa da qual realmente goste, com a qual me importe. É difícil abrir a mão, soltar os dedos, deixar escapar, muitas vezes sabendo que o que parte não volta mais.

Nesse ano minha mão abriu à força. Comecei cancelando uma viagem para estar ao lado do meu pai no hospital, naquela que seria sua última passagem de ano, após sua terceira cirurgia contra o câncer que se espalhava pelo seu corpo. Como em um sorriso melancólico, eu entrei em 2011 feliz por estar ao lado dele, mas triste por sentir que aquele era o começo da nossa despedida. Simultaneamente, eu saí do meu último emprego fixo. Uma reestruturação na empresa fez com que o cartão de visitas onde se lia Gerente de Marketing deixasse de ter utilidade e a partir de então eu começasse a atuar como freelancer.

Nos oito meses seguintes meu pai esteve preso a uma cama e descobri que ser tutor legal de incapacitado é um atarefado trabalho não remunerado. Após o seu falecimento em agosto, percebi que inventário é um processo caro e demorado. E notei também que não crer em uma religião faz da superação da morte de alguém próximo responsabilidade única e exclusivamente minha.

Para completar, o namoro que começou lá no início de 2008 ia mal. Com a pressão exercida por todo o resto desandou de vez, e nenhuma das três tentativas de recomeço serviram para colar os cacos do que já estava quebrado.

No começo o espaço vazio deixado por tudo que acabou pareceu grande demais para ser preenchido. Foi doloroso. Com o tempo, porém, ele se mostrou uma oportunidade de recomeço. Como se depois de um terremoto eu parasse de olhar a destruição ao redor e notasse que escapei inteiro, me notasse vivo e de pé.

2011 me compeliu ao desapego e vivida a lição me sinto satisfeito ao deixá-lo, também, partir. Abrindo mão daquilo que foge ao meu controle sigo em frente livre, mas com uma bagagem emocional muito válida. Que venha agora 2012, mais renovador que qualquer outro ano, a ser aguardado em Copacabana de frente para o mar.